ALIMENTOS
A situação da alimentação no mundo é marcada por um contra-senso: se por um lado cerca de 800 milhões de pessoas passam fome todos os dias devido ao sistema injusto de distribuição da produção; por outro, são produzidas, diariamente por pessoa 2.805 kcal, quantidade superior à necessidade de uma alimentação adequada, que é de 2.350 kcal. Além disso, existe um número crescente de pessoas que têm acesso aos alimentos e que são constantemente estimuladas por propagandas que
visam aumentar a venda de produtos alimentícios. O resultado é o consumo em excesso entre as pessoas que não têm uma consciência
adequada, gerando a obesidade e doenças a ela associadas, como infarto, derrame, hipertensão e alguns tipos de câncer.

Estes extremos expõem uma realidade de alerta para toda a sociedade: o da desnutrição e o da obesidade. Ambos, além de serem um problema social crônico e que dependem de uma ação efetiva dos governos, estão também diretamente relacionados com a atitude de cada cidadão no que se refere ao consumo consciente dos alimentos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), todos os países têm condições climáticas e físicas para produzir alimento suficiente para as suas populações, de maneira sustentável, sem agredir o planeta. Porém, a realidade mundial é bem diferente. A produção de alimentos vem gerando grandes impactos ao meio ambiente, principalmente pelo uso de insumos agrícolas altamente poluentes, pela devastação de grandes áreas naturais para o plantio e pela extração desordenada de recursos já escassos e que podem chegar à extinção, ações que não levam em conta a sustentabilidade do planeta. O desperdício de alimentos, iniciado na fase de produção até chegar à mesa do consumidor, agrava ainda mais esta situação. O Brasil é um dos principais produtores de alimentos do planeta, mas é também um dos que mais desperdiça, em todas as etapas, desde a plantação, passando pelo transporte e industrialização, até o manuseio e preparo dentro de casa. Estas perdas geram maior necessidade de produção dos alimentos e, ainda, elevação nos preços, devido à chamada lei da oferta e da procura, aumentando os impactos ao meio ambiente e restringindo, ainda mais, o acesso de uma parte da população aos alimentos por limitações financeiras. O consumidor consciente, ao adquirir este tipo de produto, preocupa-se com o impacto gerado pela sua produção ao meio ambiente, priorizando, por exemplo, alimentos orgânicos ou oriundos de plantações com manejo sustentável. Ele sempre busca a melhor relação entre preço, qualidade, comportamento social e ambiental da empresa, fazendo escolhas adequadas na compra, utilização e descarte dos alimentos. Para reverter a situação mundial de carências e excessos nutricionais do ser humano e da produção insustentável de alimentos, o consumidor pode adotar uma postura nutricional consciente, evitar desperdícios, proporcionar saúde, colaborar com a economia do país e preservar o meio ambiente.

Evitando o desperdício dentro de casa, não só haverá mais alimentos à disposição no mercado, como os preços sofrerão redução e eles ficarão mais acessíveis à população. A demanda menor por alimentos fará com que menos áreas sejam cultivadas, e o preço do metro quadrado ficará mais barato, determinando, de novo, o barateamento dos preços e a acessibilidade à população. Além disso, o acesso aos alimentos permitirá uma perspectiva mais digna de sobrevivência para toda a população.

ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS
Os produtos industrializados ocupam uma parcela cada vez maior do mercado de alimentos. Eles são bem práticos, pois já vem prontos ou semi-prontos. Além disso, também possuem um prazo de validade maior do que os produtos “in natura”, tornando fácil o armazenamento. Porém, para conseguir esta praticidade e durabilidade, os fabricantes utilizam milhares de aditivos químicos, que na grande maioria das vezes não fazem bem à saúde de quem os consome com freqüência. O uso dos produtos químicos deve ser discriminado nas embalagens dos alimentos, sendo que o nome de muitos deles vem codificado, talvez para que o consumidor não se assuste ao ler informações do rótulo. O consumidor consciente leva em consideração os prós e os contras antes de escolher entre o aspecto saudável dos alimentos “in natura” e a praticidade dos alimentos artificiais ou industrializados. Os produtos químicos encontrados com maior freqüência nos alimentos industrializados são: corantes, aromatizantes, conservantes, antioxidantes, estabilizantes e acidulantes.

Clique para ver o quadro de alguns produtos industrializados, aditivos possíveis e principais riscos à saúde:


ALIMENTOS GENETICAMENTE MODIFICADOS
Alimentos geneticamente modificados, também conhecidos como transgênicos, são compostos de organismos geneticamente alterados ou derivados destes. São produtos de laboratórios com a utilização de genes diferenciados. A modificação genética, também chamada de Biofortificação de Alimentos, é uma técnica que recombina moléculas de DNA, de uma maneira que não ocorreria naturalmente. O principal objetivo é o aumento da produção de alimentos e, consecutivamente, da variedade de plantas com alto teor de proteína e óleo. Estudos comprovam que a modificação genética proporciona maior resistência à
pragas, aumenta a vida útil e melhora a qualidade dos alimentos, podendo torná-los também mais baratos. O algodão, milho e soja são os principais alvos da engenharia genética atualmente.

Os primeiros estudos da modificação genética ocorreram em 1976, mas somente em 1996 pesquisas sobre produtos transgênicos foram iniciadas no Brasil. Alguns cientistas ainda são contra esta modalidade, sob alegação que existe o risco das plantas transgênicas cruzarem com suas primas selvagens e, por possuírem genes que lhes conferem
maior resistência, romperem o processo de seleção natural, acarretando a perda da biodiversidade, além do risco de deixar as tais pragas ainda mais resistentes aos antibióticos e pesticidas, o que seria irreversível ao meio ambiente.

Sob o ponto de vista econômico, existe o temor da perda de mercado de produtos agrícolas brasileiros e que os transgênicos afetem o ecossistema, pois, se é verdade que podem eliminar pragas, existe o risco que prejudiquem populações benéficas à agricultura, como abelhas, pássaros, minhocas e outras espécies de animais e plantas.

CURIOSIDADES

Fome X Obesidade
• O Programa Fome Zero do Governo Federal estima que 44 milhões de brasileiros passam fome. No outro extremo estão pelo menos 70 milhões de brasileiros que apresentam peso acima do esperado devido ao consumo excessivo de alimentos e ao sedentarismo.
Fonte: Instituo Akatu e Portal do Estadão

• A cada 3,6 segundos, alguém morre de fome no mundo. Todos os dias, 24 mil pessoas falecem de fome crônica.
Fonte: FomeZero / ClickFome

• Os números da fome no mundo: 153 milhões de crianças menores de cinco anos passam fome; 6 milhões de crianças morrem anualmente por doenças devidas à fome.
Fonte: ClickFome

• Segundo a OMS, em 2000, o número de adultos obesos chegou a 300 milhões em todo o mundo. Ao contrário do que se pensa, a epidemia de obesidade não se restringe aos países industrializados. Nos países em desenvolvimento, estima-se que 115 milhões de pessoas sofram de distúrbios relacionadosà obesidade.

• Apesar de o Brasil ser o terceiro produtor mundial de grãos, cerca de 6% das crianças brasileiras estão desnutridas, cifra semelhante à da Argélia, que vive uma guerra civil desde 1991. Fonte: Banco Mundial

• No Brasil, já existem três crianças obesas para cada duas desnutridas.
Fonte: Instituto Akatu

Consumo e Desperdício
• A população total do planeta consome 20% a mais em recursos naturais do que é suportável, ou seja, passível de reposição. Além disso, seriam necessários mais quatro planetas Terra para que toda a população mundial tivesse o mesmo padrão de consumo dos norte-americanos e europeus.
Fonte: Instituto Akatu e World Wildlife Fund

• Se uma família de cinco pessoas deixar de desperdiçar no preparo e consumo de alimentos - elaboração, restos no prato ou sobras da refeição - a décima parte do que consome ao longo do ano, economizará o suficiente para alimentar a família por pouco mais de um mês, ou 36 dias. Do ponto de vista do mercado, se uma comunidade deixar de desperdiçar cerca de 10% dos alimentos que consome, ocorrerá uma diminuição da demanda e, conseqüentemente, os preços sofrerão uma baixa para todos. Se o combate ao desperdício de alimentos se difundir por toda a população de um Estado ou país, a disponibilidade de alimentos para exportação aumentará, o que poderá trazer melhoria da qualidade de vida da população.
Fonte: Instituto Akatu

• Cada brasileiro gera em torno de um quilo de lixo por dia. Cerca de 65% desse total é representado por lixo orgânico, formado de restos de alimentos.
Fonte: Instituto Akatu e Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

• No Brasil, 70 mil toneladas de alimentos vão para o lixo diariamente, e a cada cinco minutos, uma criança morre por problemas relativos à fome, totalizando 288 crianças por dia.
Fonte: Instituto Akatu

• Em nosso país, R$ 12 bilhões em alimentos são literalmente jogados no lixo por ano. Esse valor é suficiente para alimentar oito milhões de famílias, ou cerca de 30 milhões de pessoas carentes por ano, com cestas básicas de R$ 120,00.
Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo

• Perto de 44% do que é plantado se perde na produção, distribuição e comercialização: 20% na colheita, 8% no transporte e armazenamento, 15% na indústria de processamento e 1% no varejo.
Com mais cerca de 20% de perdas no processamento culinário e nos hábitos alimentares, os desperdícios totalizam 64% em toda a cadeia.
Fonte: Revista Veja, edição 1749, ano 35, nº 17.

• Segundo a ONU, o Brasil perde US$ 16 bilhões, ou cerca de 30% de tudo o que se produz, por ano em alimentos.

• Só os supermercados da cidade de São Paulo descartam perto de 13 milhões de toneladas de alimentos por ano. As feiras livres jogam no lixo mais de mil toneladas em frutas, legumes e verduras por dia.
Fonte: Mesa Brasil

• Cálculos da Secretaria de Agricultura e do IBGE mostram que de 20% a 30% de todos os alimentos comprados para abastecer uma casa acabam indo para o lixo.

• No Brasil, um estudo feito pelo Laboratório de Nutrição e Comportamento da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, em 2002, constatou que os anúncios de alimentos representavam cerca de um quarto do total dos comerciais veiculados nos três períodos do dia e que mais de 50% eram de alimentos com excesso de gordura ou açúcar.

DICAS
Não jogue fora as sobras
Aprenda a reciclar as sobras de alimentos: do feijão, faça sopa; com arroz, bolinhos; cenouras cozidas, carne assada. Frutas muito maduras transformam-se em compotas, geléias e recheios para bolo.

Sirva no prato somente o que vai comer
Reedite o lema dos nossos pais e avós: respeito aos alimentos e ao trabalho alheio. Ponha no prato apenas a quantidade suficiente para aquela refeição.

Opte apenas pelo essencial
Compre somente o necessário para sua alimentação. Comprar em quantidade exagerada acaba gerando uma sobra que vai para o lixo. Se você economizar uma batata, uma cenoura, duas favas de vagem e um ovo por dia, ao final de uma semana terá ingredientes suficientes para a salada de maionese do fim de semana.

Faça o cardápio da semana
Planejar o cardápio da semana, definindo como serão as refeições diárias, permite organizar as compras semanais e evitar desperdícios. A maior perda doméstica verifica-se em frutas, legumes e verduras, ou seja, nos produtos típicos das compras semanais
.
Não se preocupe com a aparência dos alimentos
Nas compras a granel (alimentos não embalados), não se deixe impressionar pelo aspecto “limpeza” de legumes e especialmente batatas. Saiba que a limpeza dos alimentos reduz seu tempo de vida, assim como pode contaminá-los com produtos tóxicos. Qualquer legume ou batata com um pouco de terra dura mais e pode ser facilmente lavado em casa.

Prefira produtos da estação
Consuma verduras, legumes e frutas da estação, que além de mais saborosos, têm preços mais baixos, pois, em geral, são provenientes de regiões próximas, não exigindo grande transporte e reduzindo, desta forma, perdas pela manipulação, gastos de combustível e poluição.

Faça o alimento durar mais
Vegetais, incluindo talos e folhas, podem ser congelados pelo processo de branqueamento: mergulhe os vegetais em água fervente, espere que a água volte a ferver, retire do fogo e mergulhe imediatamente esses vegetais em uma vasilha de água gelada. Não confunda o branqueamento com preparação definitiva. O vegetal branqueado não está pronto, mas apenas protegido para ser guardado por mais tempo.

Como acondicionar os alimentos congelados
Os recipientes de plástico (tigelinhas com tampas) são as embalagens mais apropriadas para armazenar alimentos congelados. Travessas de louça refratária, fôrmas de gelo (para caldos e outros líquidos), papel alumínio e filme de PVC auto-aderente também são recomendados. Sacos coloridos, jornais, folhas de revistas ou qualquer outro material que solte tinta não devem ser usados para essa função.

Como descongelar os alimentos
Os alimentos devem ser descongelados na geladeira, de preferência de um dia para o outro. Assim, eles não perdem nutrientes, o risco de contaminação diminui e a textura se mantém.

COMO ARMAZENAR ALGUNS TIPOS DE ALIMENTOS

Laticínios

Queijos e manteigas devem ser refrigerados sempre e mantidos em potes escuros para preservar seu conteúdo de vitamina A.

Ovos
Devem ser consumidos em até dez dias e armazenados na própria embalagem dentro da geladeira. Se forem guardados nos espaços disponíveis na porta da geladeira, nenhum outro alimento, sobretudo frutas, pode ser colocado no mesmo local, para evitar a contamnação por microorganismos presentes em sua casca. Para eliminar esse risco, especialmente por salmonela, as cascas deverão ser lavadas quando o ovo for consumido. Não vale a pena lavá-las antes de refrigerar, pois a umidade pode aumentar a chance de contaminação.

Pães
Congelam bem. Embrulhados adequadamente, podem ficar no freezer por até três meses. Também podem ser guardados em embalagens de papel fora da geladeira, pois assim não emboloram. Vegetais frescos
Alguns permanecem frescos por mais tempo se mantidos secos em embalagens de papel dentro da geladeira: pepino, pimentão, abobrinha, mandioquinha, batata-doce. Outros ficam melhores se embrulhados em
papel-filme ou sacos plásticos também na geladeira:
folhas, repolho, salsinha, alface.