O crescimento do uso de canetas emagrecedoras tem sido acompanhado por relatos de gravidez em mulheres que utilizavam anticoncepcional via oral. O que se sabe sobre o assunto até agora.

Celebridades, influenciadores e até alguém mais próximo. Você deve conhecer alguém que apareceu, de repente, com alguns quilos a menos. E, quase automaticamente, surge a suspeita sobre o motivo por trás dessa mudança: as chamadas canetas emagrecedoras.
O uso de medicamentos como tirzepatida e semaglutida tornou-se um fenômeno social que vai muito além da indicação médica original. Cada vez mais populares, essas substâncias passaram a integrar a rotina de pessoas que buscam perda de peso rápida.
Com a ampliação do uso, porém, começam a surgir novos fenômenos associados a esses tratamentos, que vão além dos efeitos esperados do emagrecimento.
Um desses fenômenos tem chamado atenção de profissionais de saúde e acendido um alerta: o aumento dos chamados “bebês da caneta emagrecedora”.
Crescem os relatos de gravidez em mulheres que faziam uso de injeções para emagrecimento, mesmo relatando uso regular de anticoncepcional via oral.
Apesar da atenção crescente ao tema, há pouca evidência científica sobre essas ocorrências.
Os medicamentos citados pertencem à classe dos chamados agonistas do receptor de GLP-1, substâncias que imitam a ação de um hormônio natural do intestino responsável por regular o apetite, a liberação de insulina e o esvaziamento gástrico.
É justamente essa atuação no sistema digestivo que levanta hipóteses sobre possíveis interferências na absorção de medicamentos administrados por via oral, como os anticoncepcionais.
Entre os principais fatores em análise estão as alterações fisiológicas provocadas pelo uso das canetas emagrecedoras e os efeitos da perda de peso sobre a fertilidade.
Os agonistas de GLP-1 retardam o esvaziamento gástrico, o que pode interferir na absorção de medicamentos administrados por via oral. Isso inclui o anticoncepcional via oral, cuja eficácia depende da absorção adequada dos hormônios pela corrente sanguínea.
Dois efeitos colaterais comumente observados com o uso dessas medicações são vômitos e diarreia. Esses sintomas podem levar à eliminação dos medicamentos antes de sua absorção completa.
Por esse motivo, recomenda-se o uso de um método contraceptivo adicional sempre que ocorrerem episódios de vômitos ou diarreia, reduzindo o risco de gravidez não planejada.
A obesidade está associada à redução da fertilidade e pode agravar condições como a síndrome dos ovários policísticos (SOP). A perda de peso promovida pelo emagrecimento pode melhorar o equilíbrio hormonal e aumentar a fertilidade, tornando a gravidez mais provável, independentemente do uso de anticoncepcional via oral.
A pressão estética, somada à facilidade de acesso e à promessa de resultados rápidos, criou um ambiente propício para o uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento, como a tirzepatida.
Para mulheres em idade reprodutiva, esse cenário exige atenção redobrada, acompanhamento médico contínuo e orientação adequada sobre o uso de anticoncepcional via oral.
Enquanto ainda há poucas evidências científicas conclusivas, o debate sobre as canetas emagrecedoras e o anticoncepcional via oral reforça a importância da informação qualificada e do uso de medicamentos apenas com prescrição médica e acompanhamento profissional.
Para garantir mais segurança e cuidado com a saúde, procure sempre orientação especializada. Os clientes da Unimed Fortaleza podem consultar médicos especialistas acessando o Guia Médico, disponível no site e no aplicativo Cliente Unimed Fortaleza.
*Conteúdo desenvolvido em parceria com a médica endocrinologista da Unimed Fortaleza Dra. Anamárcia do Nascimento (CRM 12690 | RQE 11848).