Para Sua Empresa 25 de Maio de 2026

Aprenda em 5 minutos o que 1 dia no UNX ensinou sobre o futuro do trabalho


O Café com RH celebrou 15 anos em uma edição histórica e apresentou seu novo nome: UNX (Unimed Experience). A nova marca foi escolhida durante o evento pelos participantes e reforça o posicionamento voltado à inovação, futuro do trabalho, liderança e conexões estratégicas.

Apresentador no palco do UNX

Durante 15 anos, o Café com RH reuniu líderes, especialistas e profissionais de gestão para discutir os desafios das organizações e das pessoas. Agora, o evento evoluiu e ganhou um novo nome: UNX. Mais do que uma mudança de marca, o novo momento representa uma provocação sobre o futuro do trabalho, da liderança e das relações humanas.

Em um único dia, as palestras deixaram claro que o futuro não será construído apenas por tecnologia, produtividade ou performance. Ele será definido, cada vez mais, pela capacidade humana de pensar criticamente, criar vínculos, sustentar mudanças e continuar sendo humano em tempos cada vez mais artificiais.

Entre inteligência artificial, saúde mental, propósito, criatividade e liderança, alguns temas atravessaram todas as falas: excesso de aceleração, crise de sentido, necessidade de adaptação e a urgência de reconectar pessoas consigo mesmas e com os outros.

A seguir, resumimos para você os principais ensinamentos compartilhados pelos nossos palestrantes. Confira!

A era dos paradoxos: quanto mais tecnologia, mais humanidade importa

Abrindo o evento, a futurista Sabina Deweik, profissional que une a análise de tendências ao desenvolvimento humano para guiar organizações rumo à inovação humanizada, trouxe uma reflexão poderosa: estamos vivendo um superciclo tecnológico sem precedentes. Inteligência artificial, biotecnologia, robótica e automação avançam simultaneamente, mas o ser humano ainda tenta entender emocionalmente o que tudo isso significa.

“O medo do futuro deixou de ser individual para se tornar coletivo”, reforça.

A palestrante destacou que vivemos um paradoxo: nunca tivemos acesso a tantas ferramentas inteligentes e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão próximos de perder capacidades essencialmente humanas, como o pensamento crítico, a criatividade e a profundidade.

Segundo Sabina, o uso irrefletido da inteligência artificial (IA) já começa a gerar uma “dívida cognitiva”: quanto mais terceirizamos o raciocínio, menos exercitamos nossa capacidade de pensar.

Em um mundo onde executar tarefas ficou barato, pensar se tornou um diferencial competitivo. E existem atributos que nenhuma máquina consegue reproduzir completamente:

  • Intuição;
  • Insight;
  • Imaginação;
  • Inventividade.

“A verdadeira criatividade humana vem de um lugar diferente da máquina.”

Outro ponto central foi o crescimento da solidão em um mundo hiperconectado. A falta de vínculos reais e a substituição de relações humanas por interações artificiais já impactam a saúde mental, o pertencimento e a cultura organizacional.

O recado final da palestra foi direto: no futuro do trabalho e da vida em sociedade, os paradoxos não serão resolvidos, eles precisarão ser navegados.

Bem-estar deixou de ser benefício. Virou estratégia

A especialista em felicidade corporativa Renata Rivetti trouxe uma provocação importante: o mundo do trabalho mudou na aparência, mas não na essência.

Escritórios mais modernos, ambientes descontraídos e benefícios corporativos não resolveram o principal problema: a relação de sofrimento que muitas pessoas ainda têm com o trabalho.

“O mundo mudou, os ambientes ficaram coloridos, cheios de ping-pong e tobogã, mas mesmo assim a relação com o trabalho segue sendo de sofrimento”, destacou.

Renata apresentou dados preocupantes sobre burnout, ansiedade e desengajamento, mostrando como a cultura da hiperprodutividade transformou o trabalho em um ciclo contínuo de exaustão.

Entre os principais pontos levantados estavam:

  • Excesso de interrupções digitais;
  • Reuniões improdutivas;
  • Multitarefa;
  • Ausência de pausas reais;
  • Dificuldade de desconexão.

“A gente está fazendo 40 coisas ao mesmo tempo e achando isso normal.”

A palestra também trouxe um dos aprendizados mais fortes do evento: felicidade no trabalho não está ligada apenas a status, salário ou reconhecimento. O futuro do trabalho estará ligado, principalmente, à qualidade das relações humanas.

Baseada no maior estudo sobre felicidade já realizado pela Universidade de Harvard, Renata reforçou:

“Felicidade é igual ao amor, exige conexões reais de qualidade.”

Para as lideranças, a mensagem foi clara: ambientes psicologicamente seguros não são mais opcionais. Escuta, cuidado e pertencimento passaram a ser parte da estratégia de negócio.

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O ego silencioso que adoece empresas e lideranças

Marília Fiuza trouxe um tema delicado, mas extremamente presente nas organizações: o custo invisível do ego.

Segundo a especialista em coaching executivo com quase 20 anos de atuação, grande parte dos conflitos, decisões ruins e ambientes tóxicos nasce de comportamentos movidos por necessidade de aprovação, defensividade, comparação e superioridade.

“O ego nos faz acreditar que nós não temos problema de ego, que o ego é sempre do outro.”

A palestra apresentou dados que mostram como decisões influenciadas pelo ego impactam diretamente nos resultados financeiros, engajamento e cultura organizacional.

Entre os comportamentos mais comuns destacados por Marília estavam:

  • Dificuldade de ouvir críticas;
  • Centralização excessiva;
  • Necessidade constante de validação;
  • Competição interna;
  • Comunicação impositiva.

Mas talvez o momento mais forte tenha sido o relato pessoal da própria palestrante sobre depressão e vulnerabilidade.

“Quando me abri para a via da humildade e me revelei autenticamente, foi uma das experiências mais libertadoras que vivenciei.”

A principal conclusão foi simples e poderosa: humildade não é fragilidade. É maturidade emocional.

O novo exige coragem para deixar versões antigas de si para trás

O psicólogo Rossandro Klinjey aprofundou uma questão emocional que atravessa o ambiente corporativo atual: mudar exige coragem. Para ele, vivemos um momento histórico em que “o velho não morreu e o novo ainda não nasceu”. Isso gera insegurança, ansiedade e sensação permanente de instabilidade.

“Quando o modelo velho ainda não foi enterrado e não dirige mais, e o modelo novo não está pronto , é aí que estamos em crise.”

Rossandro chamou atenção para um comportamento comum em tempos complexos: focar excessivamente no que não se pode controlar como forma de evitar olhar para si mesmo. Entre geopolítica, algoritmos, mudanças de mercado e excesso de informação, muitas pessoas acabam negligenciando o próprio desenvolvimento emocional.

Outro tema recorrente foi o impacto das bolhas digitais e do viés cognitivo.

“Você cria suas bolhas, alcançando seu viés cognitivo. Você enxerga apenas uma parte da diversidade e da pluralidade do planeta.”

O palestrante reforçou que o futuro do trabalho exigirá mais abertura, escuta e consciência sobre os próprios comportamentos, inclusive aqueles que sabotam crescimento, aprendizado e relações.

E talvez uma das mensagens mais importantes tenha sido sobre responsabilidade individual: No fim, o mundo vai continuar girando. O que acontece a partir de agora vai depender de você”.

Em tempos artificiais, o olhar humano vira diferencial

Com uma abordagem poética e provocadora, Fernando Kimura, apresentador e artista, com passagens pelo marketing de grandes empresas, cinco vezes palestrante do RD Summit e speaker do TEDx, trouxe ao UNX uma reflexão sobre repertório, sensibilidade e identidade. Em um cenário dominado por ferramentas, automação e respostas rápidas, ele fez um convite raro: desacelerar para sentir.

“A vida não se resolve só com ferramenta.”

Kimura apresentou a arte como uma tecnologia humana de expansão de olhar, uma forma de compreender o mundo, desenvolver criatividade e sustentar conexões mais profundas.

Museus, música, fotografia, cinema e experiências culturais aparecem como instrumentos de autoconhecimento e construção de repertório emocional.

“A arte está ali não para você entender. Está ali para você se olhar.”

A palestra também criticou o “ferramentalismo”: a obsessão contemporânea por técnicas, hacks e fórmulas prontas. Em vez de apenas buscar produtividade, o palestrante defendeu a importância de cultivar experiências humanas que ampliem percepção, imaginação e sensibilidade.

Outro insight marcante foi a ideia de que atualização não significa consumir a última tecnologia, mas expandir o próprio repertório humano.

O que o UNX revela sobre o futuro do trabalho?

Se houve um consenso entre todas as palestras, foi este: o futuro do trabalho será menos sobre cargos e mais sobre capacidades humanas.

Em um cenário onde a tecnologia executa cada vez mais rápido, o diferencial competitivo estará em habilidades que continuam exclusivamente humanas:

  • Pensamento crítico;
  • Criatividade;
  • Empatia;
  • Escuta;
  • Imaginação;
  • Adaptabilidade;
  • Coragem emocional;
  • Construção de vínculos.

O UNX mostrou que as organizações do futuro precisarão equilibrar performance com humanidade, tecnologia com consciência e inovação com propósito.

No fim, talvez o maior insight do evento seja que o futuro não será construído apenas por quem domina ferramentas, mas por quem consegue continuar humano enquanto tudo muda.

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