O Café com RH celebrou 15 anos em uma edição histórica e apresentou seu novo nome: UNX (Unimed Experience). A nova marca foi escolhida durante o evento pelos participantes e reforça o posicionamento voltado à inovação, futuro do trabalho, liderança e conexões estratégicas.

Durante 15 anos, o Café com RH reuniu líderes, especialistas e profissionais de gestão para discutir os desafios das organizações e das pessoas. Agora, o evento evoluiu e ganhou um novo nome: UNX. Mais do que uma mudança de marca, o novo momento representa uma provocação sobre o futuro do trabalho, da liderança e das relações humanas.
Em um único dia, as palestras deixaram claro que o futuro não será construído apenas por tecnologia, produtividade ou performance. Ele será definido, cada vez mais, pela capacidade humana de pensar criticamente, criar vínculos, sustentar mudanças e continuar sendo humano em tempos cada vez mais artificiais.
Entre inteligência artificial, saúde mental, propósito, criatividade e liderança, alguns temas atravessaram todas as falas: excesso de aceleração, crise de sentido, necessidade de adaptação e a urgência de reconectar pessoas consigo mesmas e com os outros.
A seguir, resumimos para você os principais ensinamentos compartilhados pelos nossos palestrantes. Confira!
Abrindo o evento, a futurista Sabina Deweik, profissional que une a análise de tendências ao desenvolvimento humano para guiar organizações rumo à inovação humanizada, trouxe uma reflexão poderosa: estamos vivendo um superciclo tecnológico sem precedentes. Inteligência artificial, biotecnologia, robótica e automação avançam simultaneamente, mas o ser humano ainda tenta entender emocionalmente o que tudo isso significa.
“O medo do futuro deixou de ser individual para se tornar coletivo”, reforça.
A palestrante destacou que vivemos um paradoxo: nunca tivemos acesso a tantas ferramentas inteligentes e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão próximos de perder capacidades essencialmente humanas, como o pensamento crítico, a criatividade e a profundidade.
Segundo Sabina, o uso irrefletido da inteligência artificial (IA) já começa a gerar uma “dívida cognitiva”: quanto mais terceirizamos o raciocínio, menos exercitamos nossa capacidade de pensar.
Em um mundo onde executar tarefas ficou barato, pensar se tornou um diferencial competitivo. E existem atributos que nenhuma máquina consegue reproduzir completamente:
“A verdadeira criatividade humana vem de um lugar diferente da máquina.”
Outro ponto central foi o crescimento da solidão em um mundo hiperconectado. A falta de vínculos reais e a substituição de relações humanas por interações artificiais já impactam a saúde mental, o pertencimento e a cultura organizacional.
O recado final da palestra foi direto: no futuro do trabalho e da vida em sociedade, os paradoxos não serão resolvidos, eles precisarão ser navegados.
A especialista em felicidade corporativa Renata Rivetti trouxe uma provocação importante: o mundo do trabalho mudou na aparência, mas não na essência.
Escritórios mais modernos, ambientes descontraídos e benefícios corporativos não resolveram o principal problema: a relação de sofrimento que muitas pessoas ainda têm com o trabalho.
“O mundo mudou, os ambientes ficaram coloridos, cheios de ping-pong e tobogã, mas mesmo assim a relação com o trabalho segue sendo de sofrimento”, destacou.
Renata apresentou dados preocupantes sobre burnout, ansiedade e desengajamento, mostrando como a cultura da hiperprodutividade transformou o trabalho em um ciclo contínuo de exaustão.
Entre os principais pontos levantados estavam:
“A gente está fazendo 40 coisas ao mesmo tempo e achando isso normal.”
A palestra também trouxe um dos aprendizados mais fortes do evento: felicidade no trabalho não está ligada apenas a status, salário ou reconhecimento. O futuro do trabalho estará ligado, principalmente, à qualidade das relações humanas.
Baseada no maior estudo sobre felicidade já realizado pela Universidade de Harvard, Renata reforçou:
“Felicidade é igual ao amor, exige conexões reais de qualidade.”
Para as lideranças, a mensagem foi clara: ambientes psicologicamente seguros não são mais opcionais. Escuta, cuidado e pertencimento passaram a ser parte da estratégia de negócio.
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Marília Fiuza trouxe um tema delicado, mas extremamente presente nas organizações: o custo invisível do ego.
Segundo a especialista em coaching executivo com quase 20 anos de atuação, grande parte dos conflitos, decisões ruins e ambientes tóxicos nasce de comportamentos movidos por necessidade de aprovação, defensividade, comparação e superioridade.
“O ego nos faz acreditar que nós não temos problema de ego, que o ego é sempre do outro.”
A palestra apresentou dados que mostram como decisões influenciadas pelo ego impactam diretamente nos resultados financeiros, engajamento e cultura organizacional.
Entre os comportamentos mais comuns destacados por Marília estavam:
Mas talvez o momento mais forte tenha sido o relato pessoal da própria palestrante sobre depressão e vulnerabilidade.
“Quando me abri para a via da humildade e me revelei autenticamente, foi uma das experiências mais libertadoras que vivenciei.”
A principal conclusão foi simples e poderosa: humildade não é fragilidade. É maturidade emocional.
O psicólogo Rossandro Klinjey aprofundou uma questão emocional que atravessa o ambiente corporativo atual: mudar exige coragem. Para ele, vivemos um momento histórico em que “o velho não morreu e o novo ainda não nasceu”. Isso gera insegurança, ansiedade e sensação permanente de instabilidade.
“Quando o modelo velho ainda não foi enterrado e não dirige mais, e o modelo novo não está pronto , é aí que estamos em crise.”
Rossandro chamou atenção para um comportamento comum em tempos complexos: focar excessivamente no que não se pode controlar como forma de evitar olhar para si mesmo. Entre geopolítica, algoritmos, mudanças de mercado e excesso de informação, muitas pessoas acabam negligenciando o próprio desenvolvimento emocional.
Outro tema recorrente foi o impacto das bolhas digitais e do viés cognitivo.
“Você cria suas bolhas, alcançando seu viés cognitivo. Você enxerga apenas uma parte da diversidade e da pluralidade do planeta.”
O palestrante reforçou que o futuro do trabalho exigirá mais abertura, escuta e consciência sobre os próprios comportamentos, inclusive aqueles que sabotam crescimento, aprendizado e relações.
E talvez uma das mensagens mais importantes tenha sido sobre responsabilidade individual: “No fim, o mundo vai continuar girando. O que acontece a partir de agora vai depender de você”.
Com uma abordagem poética e provocadora, Fernando Kimura, apresentador e artista, com passagens pelo marketing de grandes empresas, cinco vezes palestrante do RD Summit e speaker do TEDx, trouxe ao UNX uma reflexão sobre repertório, sensibilidade e identidade. Em um cenário dominado por ferramentas, automação e respostas rápidas, ele fez um convite raro: desacelerar para sentir.
“A vida não se resolve só com ferramenta.”
Kimura apresentou a arte como uma tecnologia humana de expansão de olhar, uma forma de compreender o mundo, desenvolver criatividade e sustentar conexões mais profundas.
Museus, música, fotografia, cinema e experiências culturais aparecem como instrumentos de autoconhecimento e construção de repertório emocional.
“A arte está ali não para você entender. Está ali para você se olhar.”
A palestra também criticou o “ferramentalismo”: a obsessão contemporânea por técnicas, hacks e fórmulas prontas. Em vez de apenas buscar produtividade, o palestrante defendeu a importância de cultivar experiências humanas que ampliem percepção, imaginação e sensibilidade.
Outro insight marcante foi a ideia de que atualização não significa consumir a última tecnologia, mas expandir o próprio repertório humano.
Se houve um consenso entre todas as palestras, foi este: o futuro do trabalho será menos sobre cargos e mais sobre capacidades humanas.
Em um cenário onde a tecnologia executa cada vez mais rápido, o diferencial competitivo estará em habilidades que continuam exclusivamente humanas:
O UNX mostrou que as organizações do futuro precisarão equilibrar performance com humanidade, tecnologia com consciência e inovação com propósito.
No fim, talvez o maior insight do evento seja que o futuro não será construído apenas por quem domina ferramentas, mas por quem consegue continuar humano enquanto tudo muda.
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