Cuidar de Você 27 de Outubro de 2026

Por que o câncer de mama ainda mata tantas mulheres?


O movimento Outubro Rosa chega todos os anos para nos lembrar de um compromisso fundamental: a prevenção do câncer de mama e o autocuidado com a saúde feminina.

Médica representando outubro rosa

Entre os cânceres que acometem as mulheres, o câncer de mama é o mais diagnosticado no mundo e uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar mais de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026?2028, considerando todos os tipos de câncer. Esse número não se refere apenas ao câncer de mama.

Mas por que essa doença ainda lidera as mortes entre mulheres, mesmo com muitas campanhas e com avanços na medicina?

Convidamos a médica ginecologista Dra. Karinne Azin (CRMCE 10236) da Unimed Fortaleza para tirar as principais dúvidas que rodeiam essa doença. Confira!

O que torna o câncer de mama o mais mortal entre as mulheres?

A mortalidade por câncer de mama é influenciada pelo estágio no diagnóstico, pelas características biológicas do tumor e pelo acesso oportuno a exames e tratamentos de qualidade. Em fases iniciais, a doença frequentemente não causa sintomas perceptíveis.

Algumas mulheres encontram barreiras para realizar exames e consultas, incluindo dificuldades de acesso, medo do diagnóstico e compromissos do cotidiano.

O rastreamento por mamografia deve considerar a idade, o risco individual e as diretrizes adotadas. Sociedades médicas brasileiras recomendam mamografia anual a partir dos 40 anos para mulheres de risco habitual; as recomendações do Ministério da Saúde diferem quanto à faixa etária e à periodicidade. Lembre-se de conversar com seu médico sobre a melhor estratégia.

Veja também: Como marcar consulta na Unimed Fortaleza

Quando o tumor é descoberto em estágios avançados, as chances de tratamento curativo diminuem e há uma maior complexidade das intervenções.

Conheça os fatores de risco do câncer de mama

Embora não exista uma causa única, diversos fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento do câncer de mama. Eles são divididos entre não modificáveis (como genética e idade) e modificáveis (ligados ao estilo de vida).

Genética e hormônios

Aproximadamente 5% a 10% dos cânceres de mama estão relacionados à predisposição hereditária, incluindo variantes patogênicas em BRCA1 e BRCA2 e outros genes.

Fatores relacionados à exposição hormonal ao longo da vida também influenciam o risco, como menarca precoce, menopausa tardia e ausência de gestação a termo. Esses fatores não determinam, isoladamente, o aparecimento da doença.

Estilo de vida e hábitos diários

O excesso de gordura corporal, especialmente após a menopausa, a inatividade física e o consumo de bebidas alcoólicas estão associados ao aumento do risco de câncer de mama. Uma alimentação equilibrada contribui para a saúde geral e para o controle do peso.

Idade

A idade é um dos fatores de risco mais relevantes. O risco de desenvolver câncer de mama aumenta progressivamente com o passar dos anos, sendo mais frequente em mulheres acima dos 50 anos.

O câncer de mama também pode ocorrer antes dos 40 anos. Nessa faixa etária, a avaliação de sintomas e do histórico pessoal e familiar ajuda a definir a necessidade de investigação e de estratégias específicas para mulheres de alto risco.

Quais são as variações do câncer de mama?

O câncer de mama reúne diferentes tipos histológicos e subtipos moleculares, com comportamentos e tratamentos distintos. A seguir, apresentamos exemplos de tipos e apresentações da doença.

Carcinoma ductal in situ: alteração neoplásica não invasiva, restrita aos ductos mamários. Tem excelente prognóstico quando adequadamente tratada, mas não deve ser confundida com câncer invasivo.

Carcinoma invasivo de tipo não especial (anteriormente chamado de ductal invasivo): é o tipo invasivo mais frequente. As células tumorais ultrapassam os limites dos ductos e podem atingir tecidos adjacentes.

Carcinoma lobular invasivo: Diferente do tipo ductal, este tumor tem origem diretamente nos lóbulos mamários, que são as glândulas produtoras de leite. Ele também possui potencial invasivo para comprometer tecidos ao redor, demandando um acompanhamento médico cuidadoso e bastante especializado.

Triplo negativo: subtipo definido pela ausência de expressão de receptores de estrogênio e progesterona e pela ausência de superexpressão/amplificação de HER2. Pode apresentar comportamento agressivo, mas existem tratamentos específicos, incluindo quimioterapia e, em situações selecionadas, imunoterapia e terapias-alvo.

Câncer de mama inflamatório: apresentação clínica rara e agressiva, caracterizada por vermelhidão, edema e alterações da pele da mama, frequentemente relacionadas à obstrução dos vasos linfáticos dérmicos por células tumorais. Exige avaliação rápida.

Doença de Paget da mama: condição rara que acomete o mamilo e, por vezes, a aréola, geralmente associada a carcinoma subjacente. Pode causar descamação, vermelhidão, coceira ou lesão persistente do mamilo.

Angiossarcoma: Trata-se de uma variação bastante rara que se desenvolve nas células dos vasos sanguíneos ou do sistema linfático da mama. Pode causar alterações visíveis na pele, surgindo, em alguns casos, como um efeito tardio de tratamentos de radioterapia realizados anos antes.

Tumor filoide: tumor fibroepitelial raro da mama, que pode ser benigno, borderline ou maligno. O tratamento costuma envolver cirurgia, com conduta definida conforme suas características.

5 sintomas de câncer de mama para você ficar alerta

Estar atenta ao próprio corpo é essencial para identificar qualquer alteração suspeita. Os principais sintomas de câncer de mama incluem:

  • Nódulo novo na mama ou na axila, com ou sem dor;
  • Alterações no formato, tamanho ou simetria das mamas;
  • Pele da mama avermelhada, retraída ou com aspecto semelhante à casca de laranja;
  • Mudanças no mamilo, como retração recente ou saída espontânea de secreção, especialmente sanguinolenta e unilateral;
  • Inchaço persistente em parte ou em toda a mama.

Ao notar qualquer um desses sinais, procure avaliação médica, com ginecologista ou mastologista. Não espere a próxima mamografia de rotina.

Conhecer as próprias mamas: a importância da atenção aos sinais

Conhecer a aparência e a consistência habituais das mamas ajuda a perceber mudanças. Não há evidência de que o autoexame mensal realizado por técnica padronizada reduza a mortalidade por câncer de mama; por isso, não deve ser apresentado como obrigação ou substituto do rastreamento.

Observe suas mamas no cotidiano e procure avaliação profissional se perceber nódulos, alterações na pele, no mamilo ou secreção espontânea. Não é necessário seguir um calendário fixo de palpação.

Conhecer as próprias mamas não substitui a mamografia indicada para sua faixa etária e perfil de risco. Mesmo sem sintomas, o rastreamento pode identificar alterações ainda não perceptíveis.

Diagnóstico do câncer de mama: a mamografia salva vidas

A mamografia é o principal exame de rastreamento do câncer de mama e pode reduzir a mortalidade na população para a qual é indicada. A periodicidade e a idade de início variam entre diretrizes: sociedades médicas brasileiras recomendam, em geral, rastreamento anual a partir dos 40 anos; recomendações do Ministério da Saúde utilizam critérios diferentes. A decisão deve considerar os riscos, benefícios e preferências da mulher.

Caso a mamografia encontre uma lesão suspeita, o médico pode pedir exames adicionais. Eles podem incluir ultrassonografia das mamas e ressonância magnética. Para confirmar o diagnóstico, é realizada a biópsia do tecido mamário.

Câncer de mama tem cura?

Sim. Quando identificado em estágios iniciais, o câncer de mama geralmente apresenta melhores perspectivas de tratamento e sobrevida. O prognóstico depende também do subtipo biológico e da resposta ao tratamento; por isso, não é adequado prometer uma taxa única de cura.

O tratamento é individualizado e pode incluir cirurgia (conservadora ou mastectomia), radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo. A definição do protocolo ideal depende do tipo de tumor, do avanço da doença e das condições gerais da paciente.

Formas de prevenir o câncer de mama

Há medidas capazes de reduzir o risco de desenvolver câncer de mama, embora nenhuma elimine completamente essa possibilidade. Veja algumas atitudes práticas:

  • Pratique atividades físicas regularmente: pelo menos 150 minutos de exercícios moderados por semana;
  • Mantenha uma alimentação equilibrada: priorize frutas, vegetais, grãos integrais e água, evitando ultraprocessados;
  • Evite bebidas alcoólicas e não fume: o álcool aumenta o risco de câncer de mama, mesmo em níveis baixos de consumo; não fumar traz benefícios importantes para a saúde e reduz o risco de vários outros cânceres.
  • Mantenha acompanhamento de saúde individualizado: converse sobre seus fatores de risco, sinais de alerta e indicação de exames de rastreamento.

Priorize sua saúde neste Outubro Rosa

Cuidar da saúde das mamas envolve atenção às mudanças do corpo, hábitos saudáveis e rastreamento quando indicado. Converse com seu médico sobre a mamografia e procure avaliação se notar alterações, mesmo que seu último exame tenha sido normal.

Entenda aqui como marcar sua consulta de Saúde Integral na Unimed Fortaleza.

Além de cuidar das mamas, a saúde da mulher exige um olhar integral e contínuo. Assista ao vídeo no nosso canal do YouTube em que falamos sobre a prevenção do câncer de colo do útero e mantenha seu autocuidado em dia.

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